7 dias sem notícias. 7 dias sem novas informações. 7 dias sem TV,
internet e rádio. Essa foi a proposta que eu me fiz, depois de perceber que
estou ávido demais por novidades.
Várias vezes me peguei parado em frente ao computador, com a página do
Google aberta, pensando em algo novo para pesquisar. Mesmo depois de ler e
assistir as notícias do dia, ainda procurava novas informações e mais conteúdo
para encher a mente. Numa dessas pesquisas descobri que nosso cérebro pode se
viciar em informação, foi aí que me dei conta de que esse é o meu caso. Não
bastava me informar sobre as coisas que me interessam, na verdade eu estava
sempre buscando novos interesses. É claro que aprender mais é sempre bom, mas
desde que seja sobre algo relevante para a pessoa que aprende. Por exemplo, de
nada me adianta saber sobre construção de poços artesianos ou ourivesaria (sim,
eu li sobre isso) se essas coisas estão completamente fora da minha realidade
prática. Realidade prática é o que estou buscando.Percebi que já há um bom
tempo me tornei uma pessoa extremamente teórica e nem um pouco aplicada. Eu sei
toda a teoria sobre fabricação artesanal de facas, mas não produzi uma lâmina
sequer. Sei como construir uma composteira em casa, mas meu lixo orgânico é
jogado fora. Criei um blog, mas quase nunca escrevo nele.
Mas acordei para essa minha realidade a tempo. Esses sete dias foram
meio que um rito de passagem. Daqui pra frente quero, assim como Thoreau, viver
de forma simples e me preocupar apenas com o que for relevante para eu e minha
família. Já que citei Thoreau, um dia ainda faço como ele e vou para o mato
viver a vida de verdade.
Nessa semana, pude constatar algumas coisas. Primeiro, a grande maioria
das notícias que vemos na TV ou nos portais da internet são completamente
irrelevantes para a nossa realidade. Ou pelo menos para a minha realidade. São
apenas preocupações desnecessárias. Segundo, ler um livro, parar para escutar
música e brincar com as crianças, são coisas muito mais legais do que ver o
Sportscenter ou ficar no Facebook. Terceiro, aquele velho clichê de que menos é
mais é verdadeiro. Menos bens materiais, menos preocupações, menos tempo
desperdiçado é igual a mais tempo em família, mais qualidade de vida, mais
espiritualidade.
Aprendi também a não fazer nada. O que muitos podem considerar uma perda
de tempo, eu descobri ser algo muito prazeroso. Deitar no sofá, sem nada para
incomodar, apenas eu meus pensamentos, é muito relaxante. Afinal, quem dita que
precisamos ser produtivos 24 horas por dia é esse sistema que desaba aos
poucos. Digamos não à auto-escravidão e que nosso protesto seja uma horinha do
mais puro ócio.
Acima de tudo percebi que o necessário para uma vida satisfatória é muito
pouco. Nós complicamos a vida a troco de uma falsa felicidade. É claro que não
passei a enxergar as coisas dessa maneira por causa desses 7 dias. Na verdade,
essa semana foi o reflexo de um modo de ver as coisas que se desenvolveu em mim
há algum tempo. Obviamente é preciso equilíbrio nessa questão, assim como em
qualquer outra. E achar o ponto de equilíbrio é uma tarefa muito difícil.
Daniel.